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  • 20 de Agosto, 2019

POCTEP apoia Turismo Sustentável no Alqueva

No Alqueva multiplicam-se os projetos turísticos e as atividades de promoção do meio ambiente apoiados pelos fundos FEDER da União Europeia, através do POCTEP – Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg V-A Espanha-Portugal 2014-2020, com um orçamento global superior a 3,1 milhões de euros.

Segundo o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz e da ATLAS -Associação Transfronteiriça do Lago Alqueva, José Calixto, “está a conseguir-se recuperar o turismo em Monsaraz”.

Nos últimos anos, a localidade de 100 habitantes recebeu 100.000 visitantes e a praia de Monsaraz recebeu cerca de 80.000 banhistas, indicou o autarca. Às atividades associadas ao lago, como a navegação, o esqui aquático, a canoagem ou o paddle-surf, junta-se a oferta de passeios, observação de aves e voos.

Os castelos medievais dos municípios que rodeiam o lago, o seu património histórico, a sua gastronomia e os seus vinhos, que converteram Monsaraz no “berço do vinho de Portugal”, foram outras atrações enumeradas por José Calixto.

Mas a oferta não estaria completa, admitiu, sem “um conjunto de eventos de caráter transfronteiriço que são hoje pontos de atração, tanto do lado de Espanha como do lado de Portugal”, que inclui desde percursos históricos até festivais de fado e flamenco.

Do lado espanhol, também o autarca de Alconchel está empenhado em aumentar o fluxo de turistas naquela localidade da Extremadura próxima da fronteira.

O castelo que coroa a cidade recebe anualmente milhares de visitantes, mas Óscar Díaz trabalha para promover também a oferta hoteleira e gastronómica.

O objetivo comum é impulsionar o desenvolvimento e travar a saída de jovens da região.

Pelas mãos do lago multiplicam-se as oportunidades para fixar a população ao território: “Há dez anos muitas das empresas que existem agora não existiam e não se faziam as atividades que se fazem agora”, lembra José António Carrasco, coordenador da Alcor Extremadura, uma das empresas de atividades na margem espanhola do lago.

José Antonio Carrasco frisou que, se se considerarem “os mais de 80 quilómetros que há da cabeça à cauda [do Alqueva], pode assumir-se que uma lâmina de água tão grande gera oportunidades de fazer muitíssimas coisas”.

“Se a isto unimos o que já havia da parte cultural e histórica de cidades emblemáticas como Alconchel ou Olivença, no lado espanhol, e localidades no outro lado, como Monsaraz ou Évora… Juntamos água, possibilidades de lazer, cultura e tradições em todo este território e este atrativo de vir a esta região e conhecer uma zona nova coberta de água. É estupendo”, afirmou.

O GRANDE LAGO DA EUROPA

Criado para revitalizar uma das zonas mais empobrecidas da Península Ibérica, o Alqueva tornou-se num polo turístico virado para o desenvolvimento sustentável desta região partilhada entre Espanha e Portugal.

Ao todo são mais de 250 quilómetros quadrados e 13 municípios de ambos os lados da fronteira que se alimentam das águas do rio Guadiana.

A sua criação, em 2002, alterou a fisionomia – e a vida – do Alentejo e das localidades do lado espanhol (província de Badajoz).

“O grande lago”, como também é conhecido em Portugal, tem uma capacidade de armazenamento superior a 4.100 hectómetros cúbicos – suficientes para cobrir a procura de água de Lisboa durante 40 anos – e uma extensão de costa de 1.100 quilómetros, equivalente a todo o litoral marítimo português.

As suas águas, que impulsionaram a agricultura e a geração de energia, são também agora o epicentro do crescimento de um turismo sustentável que pode travar o ritmo do despovoamento que castiga esta faixa ibérica.

Fonte: DN/POCTEP

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